quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

CAPITÃO ANTONIO FARIAS

CONHECENDO SURUBIM: 1900 a 1930 
        Antonio José de Farias, o Capitão Antonio Farias, nasceu em Relva, no distrito de Cabaceiras, Paraíba, em 1866. Em Surubim, casado com Maria Barbosa de Farias, tiveram treze filhos, entre eles, Severino Barbosa de Farias, o seu sucessor.

   O Capitão Antonio Farias foi dono de uma bolandeira, pequena indústria de beneficiamento de algodão, fazendeiro e pecuarista de renome na região: o patriarca da família Farias.

    "No dia 13 de julho de 1922, um acontecimento abalou profundamente os surubinenses: o falecimento de Antonio José de Farias. Um homem de espírito empreendedor e progressista, que muitos e relevantes serviços prestou à Vila de São José do Surubim.

  Qualquer coisa, que se pretendesse, para o benefício de Surubim, ao seu desenvolvimento, era imprescindível o auxílio e concurso do Capitão Antonio Farias. Nada lhe era difícil quando se tratava de atender aqueles que o procuravam. Se os agricultores estavam sem recursos para tratar das suas lavouras, ele ajudava. Se alguma ameaça pairava sobre o pequeno proprietário, ele amparava. E assim trabalhou e viveu esse filho de Surubim, deixando com a sua morte, um grande vazio", Texto do Diário de Dídimo Gonçalves Guerra.


Fonte: Livro Surubim Pela Boca do Povo - Mariza de Surubim - Edição: 1995.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

HÁ 33 ANOS, SURUBIM PERDIA UM GRANDE LÍDER POLÍTICO, EVANDRO CAVALCANTI.


O Martírio de Evandro foi o meu primeiro documentário realizado, em de 1987.


As imagens foram feitas em centenas de cromos (slides), utilizei dezenas de filmes para registrar a nossa história de luta em diversos momentos vividos em Surubim, sempre gostei da fotografia, do seu lado mágico de eternizar nossos momentos, tanto alegres, quanto tristes e esse, com certeza, foi um momento que não desejaria fazê-lo.

Porém, como sempre encarei o meu lado profissional como missão e comunicador social, ao tomar conhecimento do assassinato do nosso saudoso advogado e líder político Evandro Cavalcanti, fui logo registrando através de fotos os momentos de dor e aflição que abateu o nosso povo naquela sombria manhã de sábado, 21 de fevereiro de 1987.

Documentei em slides, porque ainda não possuía uma filmadora, posteriormente transformei em vídeo VHS, para ser usado em reuniões, servindo de reflexão e debate nos movimentos eclesiais, sociais e políticos.

33 anos após sua morte, hoje, as novas gerações tem a oportunidade de conhecer a trajetória do advogado e líder político surubinense, essa é a minha homenagem à memória de Evandro Cavalcanti e a de outros tantos brasileiros, que tombaram por um Brasil socialmente mais justo.

Edvaldo Clemente de Paula.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O COMÉRCIO E SUAS ATIVIDADES

CONHECENDO SURUBIM: 1900 a 1930 
Agripino Pereira de Arruda e sua esposa Angelina Arruda, foi um empreendedor que impulsionou fortemente o comércio da Vila Surubim.
     "Em 1916, várias firmas comerciais mereciam destaque no comércio daquela época: Dídimo & Natal, Manoel Félix da Costa, José Rodrigues da Costa, Manoel de Sousa Barbosa e José de Sousa Barbosa e outros. Estes comerciantes transacionavam no comércio de TECIDOS com: Albino Amorim e Cia., Guerra e Fernando, Alves de Brito, Leite Bastos e Cia., além de muitas outras que deixo de enumerar.

     Existiam também boas firmas no ramo de ESTIVAS: Manoel Lourenço, Euzébio e outros. Posteriormente chegou Agripino Pereira de Arruda, que além de comerciar no ramo de estivas e ferragens, foi agente da Companhia de Automóveis FORD.
Agripino Arruda, sua esposa Angelina e sobrinhas.  Fotos enviadas para este Blog, por Maria Melo.
     Os comerciantes do ramo de estivas compravam em Limoeiro, que vivia uma época faustosa, sendo centro distribuidor para uma imensa região na qual se incluía Surubim. Lá existiam firmas importantíssimas no ramo, como José Fernandes Salsa e Medeiros Vereda e Cia.
Loja ao lado direito pertencia José Rodrigues da Costa ( Avô da esposa do Vereador Fred ) em seguida a loja de Agripino Arruda ( Hoje no local funciona a Loja Emanuelle, Farmácia de Manipulação e outras lojas ao lado ).

     O comércio de algodão estava muito bem instalado. Existiam em Surubim várias locomóveis e algumas bolandeiras para o beneficiamento de algodão. As firmas mais importantes no ramo eram: Antonio Farias e Cazuza Paulino, na vila. Na zona rural, o velho França da Fazenda Cajá, em Vertentes do Lério, e meu tio Manoel Barbosa, na Fazenda Guaribas, onde conheci uma bolandeira",  recorda Nelson Barbosa. 


Fonte: Livro Surubim Pela Boca do Povo - Mariza de Surubim - Edição: 1995.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

JOÃO E A ANTIGA PRAÇA AGAMENON MAGALHÃES

                                
   João Araújo de Lima - "João da Praça" - de terno branco conduzindo o andor.
Seu nome é João Araújo de Lima, mas aqueles que conheceram a antiga Praça Agamenon Magalhães, guardam com carinho um outro que lhe confere o título de jardineiro e amigo das flores.
A praça inicialmente levou o nome de Governador Agamenon Magalhães, mas após a morte do pai do prefeito Nelson Barbosa, mudou o nome para Praça José de Souza Barbosa em homenagem ao seu genitor. Atualmente, a gestão Ana Célia faz reforma na mesma. A geração dos anos 60,70,80 e 90 batizou-a como " Praça do Cinema".
   Faz tempo mas Surubim já teve uma linda praça,toda enfeitada e florida. Uma pracinha com coreto onde a garotada brincava de mocinho e bandido e a Banda Cônego Benigno Lira realizava suas retretas nas tardes de domingo. Tinha caminhos,bancos pra namorar, conversar, fazer fuxico e descansar. Havia muitas dálias, rosas, amélias, papolas e muitas, muitas borboletas. Um lago com  peixinhos  e até  um coitado  de  um jacarezinho, faziam  a alegria da meninada. E para completar o cenário, um pequeno quiosque , onde Manoel vendia guloseimas e café pequeno.

   E quem cuidava de tudo era João. Um jardineiro amoroso que reconhecidamente  recebeu um apelido encantador, que o associa a festa, povo e natureza: João da Praça.

    "Quem construiu aquela praça foi seu Nelson Barbosa, quando era prefeito. Em 1945, eu trabalhava no motor de seu Artur Barbosa. Aí Manoel que tomava conta da praça foi a uma festa e me deixou no seu lugar durante oito dias. Eu não tinha prática, mas tomei aquele gosto: fiz uma limpeza geral, plantei mudas e a praça ficou bonitinha. Aí quando ele voltou não quis mais ficar. Então, eu peguei o emprego e fui jardineiro durante três anos.
                                     
   Começava a trabalhar às sete horas da manhã. Fazia todos os serviços e ficava um pedaço de tempo tocaiando os meninos para eles não fazerem artes.

    E quando podia ajudava no Bar de Severino Tavares.

    Quando deixei a pracinha, fiz outros trabalhos e depois, peguei a vender flores. Faz mais de vinte anos que vivo assim. 

  Trabalho por encomendas: atendendo casamentos, ornamentação de igrejas, andores, aniversários, festas religiosas, velórios e vendo flores na rua. Para ornamentação de igrejas as minhas flores preferidas são gladíolos, celsas, angélicas e carinho de mãe. Margarida é mais para enfeite de casas e também se usa no cemitério. O cravo e as rosas vermelhas e brancas servem pra esse negócio de banho de rezadeira. O povo fala que é pra tirar catimbó, essa coisa ruim que uma pessoa manda fazer para outra, é só tomar banho com água de cravos e dessas rosas que ele se desmancha. Dizem que é assim", conta João da Praça.

   "João era um bom jardineiro. Todo o dia ele estava zelando as flores com muito carinho. Sempre ajudou na igreja, enfeitando o altar e andores para as procissões. O que a gente queria era com ele e com Zezinho. Ainda hoje é assim. Uma criatura muito boa e muito dedicada", conta Severina Costa de Albuquerque, a lna, de Davi.

   "Naquele tempo quase não tinha divertimento em Surubim. Então, nos dias de domingo as moças e os rapazes se arrumavam e ficavam passeando e paquerando na praça.

   João sempre foi católico e trabalha muito pela igreja como decorador e membro da Congregação Mariana", contam Biusa e Severina Sobral de Sousa, a lna.

   "A praça era muito arrumadinha, muito bonita e João cuidava direitinho de tudo. Aos domingos havia diversões e a praça ficava cheia de gente. Ela faz muita falta e deixou muitas saudades", conta Aurélia Cabral Leal.


Fonte: Livro Surubim Pela Boca do Povo - Mariza de Surubim - Edição: 1995.


sábado, 15 de fevereiro de 2020

AS PATENTES DE ANTIGAMENTE EM SURUBIM.

     CONHECENDO SURUBIM: 1900 a 1930 

    Antigamente, era muito comum os homens de posse e prestígio: fazendeiros, pecuaristas e comerciantes comprar ou ganhar patentes de Coronel, Major, Capitão e Tenente. Porém, raro o que recebia a honraria por serviços prestados de acordo com o título.

     Segundo José Lúcio da Fonseca, o seu avô Lourenço Xavier da Fonseca foi tenente da Guarda Nacional por mérito, o mesmo acontecendo, mais tarde, com o seu pai Manoel Clementino Maciel da Fonseca,conhecido por Tenente Lourencinho.

     Os nossos coronéis mais famosos foram Urbano Vieira Carneiro da Cunha, Seu filho Dídimo Carneiro e Periandro Augusto de Miranda.

     Na lembrança dos antigos ficaram os capitães Antonio Farias, Francisco Martins, José Natal e José Alvino. "O homem que combateu e ajudou a prender o cangaceiro Antonio Silvino.

    Com patentes de Major:  Prescilliano da Motta Silveira e Turíbio Severino de Paula. 

     Este,segundo dizem,possuía um orgulho tão grande pela sua patente que só respondia os cumprimentos se o saudassem com o título de Major.




Fonte: Livro Surubim Pela Boca do Povo - Mariza de Surubim - Edição: 1995.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Lenda da Comadre Fulozinha

 

UMA LENDA NORDESTINA.


     O que é

Comadre Fulozinha, ou, em algumas regiões, Mãe da Mata, é uma personagem mitológica da zona da mata de Pernambuco e da Paraíba, no nordeste brasileiro. Muitas vezes a lenda é confundida com a da Caipora, ou considera-se que seja uma variação da mesma, e, em alguns lugares, acredita-se que ambas sejam o mesmo ser.
O nome atribuído à criatura pode ser na verdade "Comadre florzinha", mas devido aos habitantes pronunciarem-no com o típico sotaque do nordeste, acabou sendo mais difundido o "Cumade Fulozinha"

A Comadre também pode assustar quem esteja andando a cavalo na mata e não deixe a oferenda. Ela amarra o rabo e a crina do animal de tal forma que ninguém possa desatar os nós. A ela também são atribuídos "causos" semelhantes contados pelos anciãos das regiões rurais, onde os rabos dos cavalos no estábulo amanhecem amarrados da mesma maneira.
Em algumas regiões do Brasil também é conhecida como uma entidade que protege a floresta[1], daí sua semelhança com a Caipora. Segundo alguns, a mesma não gosta de ser confundida com a Caipora, quem a confundi leva uma surra de urtiga, uma planta que causa muita coceira ou com seus longos cabelos. Até hoje são comuns relatos de pessoas que presenciam suas aparições nas zonas floresta.
No culto da Jurema na Paraíba ela é considerada uma entidade divina e tem caráter.

Aparência e personalidade
Segundo a lenda, Comadre Fulozinha é o espírito de uma cabocla de longos cabelos negros que lhe cobrem o corpo. Ágil, e que vive na mata defendendo animais e plantas contra as investidas dos destruidores da natureza. Gosta de ser agradada com presentes, principalmente mingau, confeitos, fumo e mel. E quando agradada, logo faz que a caça apareça para quem lhe ofereceu o agrado e também permite que este consiga sair da mata.
Tem personalidade zombeteira, algumas vezes malvada, outras vezes prestimosa. Diz-se que corta violentamente com seu cabelo aqueles que a mata adentram sem levar uma quantidade de fumo como oferenda e também lhes enrola a língua. Furtiva, seu assovio se torna mais baixo quanto mais próxima ela estiver, parecendo estar distante. Ela também gosta de fazer tranças e nós em crina e rabo de cavalo, que ninguém consegue desfazer, somente ela, se for agradada com fumo e mel.
Conta a lenda que a Comadre Fulozinha era uma criança que se perdeu na mata quando ainda era pequena, ela procurou o caminho de volta para sua casa mas não achou e acabou morrendo, e seu espírito passou a vagar pela floresta em busca do caminho de volta para casa.[4]

Relatos
Na década de 1930, segundo dona Lourdes Cavalcanti, seu irmão chegou em casa assustado relatando que seu cachorro havia levado uma surra da Comadre. Além disso, existem ainda outras histórias.
A população da zona rural respeita a lenda, e não busca atormentá-la. Em algumas situações, ela atua de forma semelhante ao saci, também fazendo traquinagens como fazer tranças em rabos de cavalo, além de roubar fumo e mel. Como uma forma de disfarçar a sua presença, ela dá um assovio parecendo que está distante, mas quando menos se espera ela chega.

     Filmes
    A lenda da Cumade saiu dos contos para virar filme, uma saga de filmes produzida por Menelau Júnior, uma produção totalmente pernambucana, produzida em Caruaru conta a história da cabocla protetora das matas, atualmente em 4 filmes: 

1:  Cumade Fulozinha,  
2:  A Noite dos Assobios, Cumade Fulozinha 
3:  Cumade Fulozinha 
4:  A Lenda Ressurge. 
    
Vídeos sobre  Comadre Fulozinha no youtube, veja no link abaixo:


COMADRE FULOZINHA

CONHECENDO SURUBIM: 1900 a 1930   

     -  Conte aquela história de Comadre Fulozinha!
     -  Cale a boca menina, não se brinca com coisa séria.

     E Severina Joana, de Capoeira do Milho,cantora de novenas e incelenças, se benze e chama pela Virgem Maria, "mode espantar os maus espíritos".
Contam os camponeses mais antigos, que Comadre Fulozinha é uma mulher pequenina,de cabelos loiros quase arrastando pelo chão,que gosta de fumo, dá pisa em cachorro, faz tranças nas crinas dos cavalos e assobia pelo meio do mato fazendo "homem macho correr  e tremer de medo".

     "A lenda de Comadre Fulô é muito antiga, vem desde o tempo do cativeiro. Lá no mato ela marca as caças. Se foi lambu, corta a unha, se for preá corta a pontinha da orelha. Tem dia que o caçador vai pro mato e caça, mas tem dia que vê a caça e não mata não. É só no dia que ela quer".

      "Desde pequena que escuto falar de Comadre Fulozinha. Uma noite, lá no mato, eu tava lavando os pratos na cozinha e escutei um assobio bem fino. O pifó ( o candeeiro  ) se apagou e eu dei uma carreira medonha".

     "Comadre Fulozinha faz parte da vida da gente. E todo meninote tinha medo. De madru-gada ela aparecia no curral e trançava as crinas dos cavalos, e pra desmanchar, o que era raro, dava um trabalho danado.A gente sabia que era ela por causa do assobio".

     "Eu nunca vi. Mas conheci uma pessoa que disse ter se encontrado com ela fazendo roda no terreiro".

     "Caipora, é a mesma Comadre Fulozinha. Mas quando o sujeito chama ela de caipora leva uma surra de urtiga de lascar".

     "Ela não gosta de religião, é pagã, e tem um medo danado de batismo. E se o cabra diz: Comadre Fulô eu vou lhe batizar, ela zarpa e não aparece mais".

     "Tem casa que Comadre Fulozinha faz marcação. Se a pessoa gosta de cigarro, ela chega escondido e fuma. Se for cachimbo, deixa seco".

     "Comadre Fulozinha não gosta de cachorro. Lá no mato a gente passava alho nos bichos pra ela não dá pisa. De noite, quando eles começavam a latir, a gente sabia que era armada de Comadre Fulozinha".

Fonte: Livro Surubim Pela Boca do Povo - Mariza de Surubim - Edição: 1995.

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